Situação da Vida Real - Frequências baixas

Situação da Vida Real - Frequências baixas

“Doutor, tenho um equipamento de medir pressão automático digital. Utilizo-o rotineiramente para monitorar a minha pressão, de meus familiares, e funciona muito bem. Recentemente aconteceu de um meu vizinho passar mal e fui solicitada para fazer uma verificação de sua pressão. Tentei diversas vezes e deu sempre erro. O que pode ter acontecido?

Quando um equipamento não funciona bem a primeira providência é verificar se as pilhas estão carregadas (as pilhas recomendadas são as alcalinas). Quase todos os equipamentos sinalizam no visor aparecendo a bateria com um X, indicando a necessidade de troca. Alerto para outro problema que é o armazenamento por muito tempo sem a remoção das baterias, e com isso pode-se estragar o próprio equipamento, porque com o tempo elas oxidam e soltam um liquido corrosivo dentro do equipamento.

Um outro problema é a própria adaptação do manguito com o braço. Esse manguito deve ter uma dimensão apropriada ao diâmetro e tamanho do braço. A maior possibilidade de erro acontece nos obesos e nos pacientes que possuem flacidez acentuada, pois a quantidade de pele existente pode dificultar o garroteamento da artéria.

Outro problema relativamente comum é que nas frequências baixas, especialmente em pacientes que fazem uso de medicamentos chamados de betabloqueadores (atenolol, por exemplo), a verificação da pressão arterial por oscilometria torna-se difícil. Tenho encontrado essa dificuldade na minha prática de consultório. Quando isso acontece procuro usar a forma antiga de medida de pressão, com equipamento auscultatório. Aproveito para lembrar que já temos equipamentos de utilização mista, ou seja, capazes de em um simples apertar de um botão migrar da forma oscilométrica para a auscultatória, corrigindo o problema.

É interessante também lembrar que outro motivo de erro são as arritmias, como: extra-sistoles frequentes e a principal delas que é a fibrilação atrial. Nesses casos a medida da pressão arterial se torna difícil, e exige que um profissional experiente faça esse tipo de avaliação.

Lembrar que o estado emocional do paciente, a posição do braço, e especialmente a movimentação, podem ser fontes de erro dificultando uma adequada avaliação. O método oscilométrico não significa apenas colocar um manguito no braço, ou punho, e apertar um botão. Exige um conhecimento mínimo da técnica de medida tradicional e a não observação desses cuidados acarretará em erros de leitura.

Para um equipamento funcionar adequadamente devemos conhecer suas vantagens e limitações. O bom uso possibilitará informações precisas, que ajudarão os médicos a tomar decisões corretas para a sua saúde e de seu coração.


 

Marco Mota   
(CRM 718 – AL) Médico Cardiologista e integrante do
corpo clínico do Hospital do Coração de Alagoas
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